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11.09.2011 - 80 ANOS DE JOTA DANGELO
 

Bernardo Novais da Mata Machado.

 

José Geraldo Dangelo (São João del Rei MG 1932). Diretor, ator, dramaturgo e gestor cultural. É reconhecido como renovador do teatro de Belo Horizonte, sobretudo a partir do fim da década de 1950, quando participa da fundação do Teatro Experimental. No período da ditadura militar no Brasil, escreve textos e dirige espetáculos que fazem oposição a esse regime. Desde 1982, ocupa cargos públicos em órgãos ligados à cultura, no Estado de Minas Gerais.

 

Em 1950, muda-se para Belo Horizonte e ingressa no curso de medicina da Universidade de Minas Gerais (UMG), atual Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Nesse mesmo ano, faz contato com o Teatro Mineiro de Arte, grupo dirigido pela atriz e dramaturga Zuleika Melo. Por intermédio da dramaturga, conhece João Marschner e Carlos Kroeber, com os quais funda, em 1959, o Teatro Experimental (TE). Como estudante de medicina, em 1954, começa a dirigir o espetáculo de variedades Show Medicina, com alunos e colegas do curso da UMG, e desenvolve até 1962 a atividade de diretor teatral.

 

Com Kroeber, busca convencer a UMG a criar uma escola de formação de atores, desejo acalentado pelo grupo que se reúne regularmente na casa de Marschner para discutir e ler textos teatrais de sua biblioteca. Eles sentem falta de uma formação teatral continuada, pois as oportunidades de aprender são raras em Belo Horizonte. Há as lições práticas de João Ceschiatti, que dirige o teatro do Serviço Social da Indústria - Sesi e encena peças clássicas com apuro e bom gosto. É Ceschiatti que transmite a Jota Dangelo o senso de dedicação, sem a qual, diz, "não é possível fazer teatro".1 Há também os contatos eventuais com as companhias que vêm do Rio de Janeiro e São Paulo para se apresentar em Belo Horizonte, em especial os grupos egressos do Teatro Brasileiro de Comédia - TBC que se formam na segunda metade dos anos 1950: Companhia Tônia-Celi-Autran - CTCA, Teatro Cacilda Becker - TCB e Teatro dos Sete. Sobre essas companhias Dangelo diz que eram verdadeiras "escolas de ver e conversar".2 

 

No entanto, o desejo do grupo de amigos é o de frequentar um curso de teatro, como o da Escola de Arte Dramática - EAD da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. No início de 1957, Jota Dangelo, Carlos Kroeber e João Marschner obtêm do reitor da UMG o compromisso de contratar um professor, providenciar uma sede e institucionalizar o Teatro Universitário (TU). No TU, Kroeber assume a presidência, Dangelo, a diretoria administrativa, Marschner, a secretaria, e o professor italiano Giustino Marzano é convidado para ser o diretor artístico. Dangelo, Kroeber e Marschner desligam-se da escola e, no ano seguinte, fundam o Teatro Experimental (TE) no ano seguinte.

 

O TE realiza espetáculos de caráter experimental, particularmente de autores da vanguarda européia, como Fim de Jogo, de Samuel Beckett - primeira encenação desse texto no Brasil, com tradução de João Marschner; A Cantora Careca, de Eugène Ionesco; e Pic-nic no Front, de Fernando Arrabal. Kroeber e Dangelo revezam-se na direção e assistência de direção, e João Marschner concentra-se na tradução de textos e na criação de cenários e figurinos. Os três são atores em quase todos os espetáculos do grupo até 1961.

 

Dangelo faz especialização na área médica nos Estados Unidos entre 1961 e 1964, então aproveita para frequentar o curso de drama da Universidade de Washington, onde entra em contato com a nova dramaturgia norte-americana. A convite de Sábato Magaldi, envia artigos para o suplemento literário do jornal O Estado de S. Paulo, entre os quais se destacam os que analisam a obra de Edward Albee, que acabara de estrear nos Estados Unidos Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

 

Em 1965, participa como ator e iluminador das montagens de O Escurial, de Michel de Ghelderode, e Atos Sem Palavras I e II, de Samuel Beckett - primeira encenação desse texto no Brasil -, dirigidas por Marco Antônio Menezes. Nesse ano, Dangelo dirige Bolota Contra o Bruxo, peça para o público infantil, de Jonas Bloch - ator, dramaturgo e diretor, que passa a ser o seu principal parceiro no TE até 1969.

 

A outra parceria de Dangelo e Jonas Bloch é O Homem e Seu Grito, uma montagem de cunho claramente político que assinala uma transição na linha de produções do TE, transição essa que se completa no espetáculo seguinte, Oh! Oh! Oh! Minas Gerais.

 

Como relata Dangelo, um dos momentos mais emocionantes de sua vida teatral deu-se na apresentação do espetáculo em Brasília. Há uma cena na qual uma carta de Juscelino Kubtschek é lida, tendo ao fundo a música Peixe Vivo. A censura convoca Jota Dangelo para exigir que o texto ou a música fossem cortados. Ele opta pelo corte da música, mas denuncia na imprensa o absurdo de se censurar uma canção do folclore diamantinense. Na estreia, com o teatro lotado, Jonas Bloch começa a dizer o texto da carta e o público, em uníssono, canta o Peixe Vivo. É uma verdadeira apoteose. O espetáculo tem de ser interrompido momentaneamente para os aplausos entusiasmados da plateia.

 

Com o sucesso da montagem o grupo vislumbra a possibilidade de profissionalizar-se, mas essa expectativa é frustrada quando o TE tem duas de suas peças consecutivamente proibidas pela censura, Oh! Oh! Oh! Minas Gerais e Numância. Apesar da vigilância constante dos militares, Dangelo dá continuidade no TE, em toda a década de 1970, à produção de textos com referências ao autoritarismo, utilizando sempre do artifício da metáfora para tanto.

 

Dangelo assina o texto, a direção e a iluminação do primeiro espetáculo de som e luz produzido no Brasil, Inconfidência na Praça, apresentado em Ouro Preto no feriado de 21 de abril de 1970. E monta outros espetáculos como esse, em espaços abertos e com falas gravadas, por ocasião da Semana Santa ou no 21 de abril, nas cidades de Belo Horizonte, Ouro Preto, São João del Rei e Tiradentes. A vida de Cristo e de Tiradentes são pretextos para denunciar o clima de opressão, tortura e delação em que vive o país e servem de tema para os espetáculos: Uma Certa Sexta-Feira, 1972, O Encontro na Praça, 1974, O Encontro na Sexta-Feira, 1976, De Corpo Presente, 1977, O Aleijadinho de Vila Rica, 1977, O Caminho do Calvário, 1978, e O Julgamento na Praça, 1980.

 

O TE muda de nome, passa a se chamar O Grupo, em 1974. Em 1990, o casal Dangelo e Mamélia Dornelles, que se mantém na liderança do grupo durante toda a sua trajetória, aluga um local para ser a sede da companhia. Esse espaço é denominado Casa de Cultura Oswaldo França Junior, em homenagem ao escritor mineiro, nome que também é adotado pelo grupo, até 1998, quando encerra suas atividades.

 

A estratégia da metáfora, ou seja, falar da ditadura sem se referir diretamente a ela, a fim de despistar a censura, é utilizada por Jota Dangelo também na escola de samba de São João del Rei, na qual, desde 1957, exerce a função de sambista e carnavalesco. De 1972 a 1980, os enredos são sutilmente politizados. Em 1972, com o enredo Castro Alves Pede Passagem, denuncia a exploração do trabalho e o imperialismo norte-americano e defende os movimentos libertários. Os estandartes da escola vêm com pequenos textos alusivos a esses temas. Na última ala, dedicada ao movimento hippie, o estandarte tem os seguintes dizeres: "Castro, estou na tua". Considerando aquilo uma alusão ao líder revolucionário cubano Fidel Castro, os militares instauram inquérito e obrigam Dangelo a comparecer diante das autoridades duas vezes por semana, durante seis meses.

 

No processo de redemocratização do país, quando Tancredo Neves chega ao governo do Estado de Minas Gerais, Jota Dangelo passa a ocupar cargos públicos vinculados à política cultural. Em 1982, assume a presidência da Fundação Clóvis Salgado, que administra o Palácio das Artes, cargo que acumula com a chefia da Coordenação de Cultura, até a criação da Secretaria de Estado da Cultura. Nessa entidade, a convite do secretário José Aparecido de Oliveira, assume a função de secretário adjunto. No governo do presidente José Sarney, ocupa por quatro meses a secretaria executiva do Ministério da Cultura, na transição entre o ministro José Aparecido de Oliveira e Aluísio Pimenta. No governo Hélio Garcia, em 1985, é nomeado secretário de estado da cultura, cargo que ocupa durante 11 meses. Com a eleição de Pimenta da Veiga para a prefeitura de Belo Horizonte, é convidado para presidir a Belotur, empresa municipal de turismo, cargo que ocupa de 1989 até 1992. Com Aécio Neves, governador de Minas Gerais, Dangelo assume a presidência do Instituto Cultural Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais - BDMG Cultural, em 2003.

 

Embora convidado várias vezes para atuar no Rio de Janeiro ou em São Paulo e profissionalizar-se no teatro, Dangelo sempre opta pela carreira de professor universitário. Em suas palavras: “sempre olhei o teatro com olhos de amador, no bom sentido”. Sou um sujeito que gosta de teatro porque ele é muito importante na minha vida. Costumo dizer que é minha religião, uma coisa sagrada para mim é o teatro

Jorge Fernando,

 

Dizem que o mineiro trabalha em silêncio. Enquanto o resto do país faz estardalhaço por qualquer coisa, ficamos calados, olhando nossos pares e ímpares sempre com desconfiança ou inveja. Esse jeito nós herdamos do ciclo do ouro, já que no garimpo o silêncio é a alma do negócio. Ou talvez seja um traço herdado dos criadores de gado, no ciclo do couro, quando era comum desfazer do gado alheio para comprá-lo na bacia das almas. Seja lá como for, eis o silêncio, sobretudo e sobre todos.

 

Esse “nariz de cera” é para dizer que o Jota Dangelo, nosso grande homem de teatro,

 

Dangelo dispensa apresentações, mas vale ressaltar seu pioneirismo. Quando ainda estudava Medicina na UFMG, ele e seu bravo colega Angelo Machado – hoje um consagrado zoólogo e autor de livros infanto-juvenis – fundaram o Show Medicina, ao qual se deve o fato de muitos médicos de BH se interessarem também por teatro. Entre esses vale citar o autor e diretor Jair Raso, neurologista do primeiro time – para lembrar apenas um dentre os muitos que se destacam nos consultórios e teatros da cidade. 

 

Dangelo é também compositor e carnavalesco. Foi Secretário de Estado da Cultura e hoje dirige o BDMG Cultural. Em seu livro, ele prova também que é jornalista. Não tem diploma de comunicação nem carteirinha do sindicato, mas escreve melhor que muitos coleguinhas que insistem no exercício profissional. Sua memória é prodigiosa e seu livro resgata importantes momentos de sua vida e do teatro exercido com fidalguia por uma geração aguerrida, que enfrentou os terríveis moinhos da ditadura militar e o preconceito da tradicional família mineira.

 

Alessandra Maria Dutra dos Santos

 

Este texto pretende estudar a atividade teatral brasileira, na década de 60, enfocando a relação dos textos dramáticos e espetaculares de Jonas Bloch, Jota Dângelo, Carlos Alberto Ratton e Plínio Marcos com a censura, procurando observar as transformações ocorridas nos textos, nos autores e no público diante de uma situação adversa. Percorrer os caminhos do silêncio consiste, dentre outras coisas, num incansável exercício de reconstrução do quebra-cabeça da memória, juntando peças daqui e dali para que a montagem alcance o máximo grau de precisão. Para compor este quebra-cabeça da memória do teatro em Belo Horizonte, na década de 60 e no início da década de 70, selecionei algumas obras de Jota Dângelo e seus co-autores Jonas Bloch e Carlos Alberto Ratton: Oh! Oh! Oh! Minas Gerais e Futebol alegria do povo, respectivamente; e de Plínio Marcos: Barrela, Navalha na carne, Dois perdidos numa noite suja e Quando as máquinas param. Sobre elas serão feitas algumas reflexões, tendo como fio condutor a literatura, a história, os intertextos, a censura, os leitores, os espectadores, as várias recepções e os horizontes de expectativa. A história literária brasileira está repleta de estudos e pesquisas sobre os autores mais consagrados e lembrados não só nos meios acadêmicos, mas na sociedade como um todo. Isto se deve a um intenso trabalho de pesquisadores, professores, intelectuais e leigos que conhecem e reconhecem, nas obras destes 

 

Marco Lacerda:

 

Jota Dângelo é diretor, ator e dramaturgo José Geraldo Dângelo ou simplesmente Jota Dângelo ainda é o nome que melhor traduz a atividade teatral em Minas Gerais. Diretor, ator e dramaturgo, Dângelo é conhecido como renovador do teatro em Belo Horizonte, sobretudo a partir do fim da década de 1950, quando participou da fundação do Teatro Experimental. Durante a ditadura, ele escreveu e dirigiu textos que faziam oposição aberta ao regime militar.

 

A frente do Teatro Experimental, Dângelo realizou espetáculos de autores da vanguarda européia como Samuel Beckett e Fernando Arrabal. É de autoria dele, a primeira encenação no Brasil de ‘Fim de Jogo, de Beckett, mas foi em parceria com o ator Jonas Bloch que Dângelo realizou a montagem da peça mais emblemática do teatro mineiro - “Oh, oh, oh, Minas Gerais” - que o colocaria durante muitos anos na mira da censura. 

 

Salomão Terra,

 

Jota Dangelo, dramaturgo, ator e diretor de teatro aportam nos jardins do Palácio das Artes nesta segunda, 08, para lançar Os Anos Heróicos do Teatro Em Minas, obra que resgata a história da produção teatral mineira entre 1950 e 1990.

 

Resgatando a história ímpar de grupos que lutaram pelas artes cênicas no Estado, o livro inicia sua trajetória com a fundação do Teatro Universitário na década de 50. Desde o final daquela década, ele mesmo fundou/dirigiu os grupos Teatro Experimental (1959-1973), O Grupo (1974 – 1989) e a Casa de Cultura Oswaldo França Junior (1990-2000).



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