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22.03.2013 - SOLENIDADE DOS PASSOS E SEMANA SANTA EM SÃO JOÃO DEL-REI
 

Aluízio José Viegas

  PASSOS
A Solenidade dos Passos deveria, liturgicamente falando, ocorrer na Semana Santa, entretanto ela, em São João del-Rei, é celebrada separadamente. A Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, fundada em 6 de dezembro de 1733, determina em seu Compromisso (estatuto), o 4º Domingo da Quaresma (Domínica Lætare) para rememorar os dolorosos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo a caminho do Calvário. Esta solenidade, como a conhecemos hoje, só passou a ser realizada na segunda metade do século XVIII com as procissões dos Depósitos de Nossa Senhora das Dores, do Senhor dos Passos e a do Encontro das duas imagens
As procissões dos Depósitos ainda contêm muito do barroquismo em que foram concebidas. Consistem essas procissões em transladar as imagens de N. S. das Dores e do Senhor dos Passos para as igrejas das Ordens Terceiras do Carmo e de São Francisco de Assis. As imagens vão veladas, isto é, sob um velário roxo que é retirado quando elas, chegando nessas igrejas, são co-locadas no presbitério, onde ficam “depositadas” até o Domingo do Encontro. Nos Depósitos, rea-lizados à noite, os Irmãos dos Passos não usam seus balandraus roxos; todos vão de trajes escu-ros, portando tochas acesas. Os Terceiros Carmelitas vão receber Nossa Senhora das Dores na Rua Direita, revestidos dos hábitos talares e opas da Ordem Terceira. O mesmo acontece com o Depósito dos Passos. Os Terceiros Franciscanos vão receber o Senhor dos Passos próximo à Ponte da Cadeia. No Carmo e em São Francisco, retirado o velário, as imagens são veneradas pelos fiéis enquanto a orquestra e coro executam um dos Motetos dos Passos e, após a oração do sacerdote oficiante, executa-se o Miserere, do compositor Manoel Dias de Oliveira. Uma já antiga tradição ainda mantida é que no Depósito do Senhor dos Passos se executa somente a Marcha dos Passos da autoria de Martiniano Ribeiro Bastos. Entretanto, outros autores são-joanenses dedicaram marchas fúnebres para esta solenidade. João da Matta compôs diversas obras para o período quaresmal destacando-se o seu Stabat Mater que é executado pela orquestra e coro. Para banda de música escreveu várias marchas fúnebres, entre as quais se destacam: “Grande Marcha dos Passos para o Depósito do Senhor dos Passos de São João del-Rei” e “Cordeiro Imolado”, cujos originais pertencem ao acervo da Orquestra Lira Sanjoanense.
No Domingo, chamado do Encontro, pela manhã, antes das missas do Carmo e São Francisco são realizadas as rasouras, que são pequenas procissões em torno da igreja. Em São Francisco, após a rasoura, é celebrada Missa Solene cantada, quando se executam músicas do Padre José Maria Xavier.
À tarde, saem dessas igrejas as procissões para o “Encontro” das piedosas e venerandas imagens que acontece na Praça Barão de Itambé (antigo Largo da Câmara), quando, então é proferido o Sermão do Encontro que rememora o doloroso encontro de Jesus com sua Mãe na Rua da Amargura em Jerusalém.
Na procissão do Senhor dos Passos, que sai de São Francisco, o Bispo, sob rico pálio vermelho, já quase bicentenário, que tem as palas bordadas a fio de ouro com os estigmas da Paixão, conduz um relicário contendo um fragmento da verdadeira Cruz na qual Jesus Cristo foi crucificado. Faz uma pequena parada nas Capelas Passos onde a relíquia é incensada enquanto o coro e orquestra de sopros executa um moteto. À frente da procissão é conduzido um grande pendão roxo, no qual estão escritas as iniciais S. P. Q. R. que significa Senatus Populusque Romanus (Senado e Povo Romanos) por ordem do qual Jesus Cristo foi crucificado.
No Sermão do Encontro o orador sacro rememora o doloroso encontro de Jesus com sua extre-mada Mãe, Maria Santíssima, na Rua da Amargura, em Jerusalém, a caminho do Calvário. É um sermão histórico no qual é descrito parte da Paixão de Jesus Cristo na Via Dolorosa. A tradição oral são-joanense guarda o nome de grandes oradores sacros do passado e do presente que ocuparam a tribuna sacra para proferir o Sermão do Encontro. Dentre esses oradores ressaltam-se os nomes de Cônego Antônio José da Costa Machado, Pe. José Pedro da Costa Guimarães, Monsenhor Gustavo Ernesto Coelho, Padre João Batista da Silva, Monsenhor José Maria Fernandes e muitos outros pregadores de renome nacional.
Após o Encontro, os dois cortejos se integram, transformando-se numa só procissão com o andor Senhor dos Passos à frente, seguido pelo de N. S. das Dores, e continua a procissão, passando pelas Capelas Passos, dirigindo-se para a Catedral Basílica de N. S. do Pilar, onde será proferido o Sermão do Calvário. Dessa procissão participam todas as irmandades, confrarias, arquiconfraria e ordens terceiras de São João del-Rei, revestidas de suas insígnias.
Uma antiga e curiosa tradição da Venerável Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, mantida ainda hoje, é de que os carregadores das lanternas junto ao andor do Senhor dos Passos são advogados e dos cordões de sustentação do pendão que vai à frente da procissão são médicos. Outra tradição preservada é a de ornamentar os andores de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, para as procissões dos Depósitos com ramos de manjericão e que após a cerimônia de incensação quando as imagens chegam ao seus destinos, é distribuído aos fiéis que levam para suas casas como remédio. Vale ressaltar que a imagem de Nossa Senhora das Dores tem somente quatro espadas cravadas no peito e não sete como deveria ser simbolizando suas sete dores. O motivo de esta imagem ter somente quatro espadas é que o Encontro de Maria Santíssima com seu Filho Jesus Cristo é justamente a sua quarta dor.
Outra tradição ainda mantida. A preparação da imagem de Nossa Senhora das Dores, com a troca de suas roupagens simples para as mais ricas é feita pela Família Assis Viegas isso acontecendo desde a primeira metade do século XIX, tradição que passa de mães às filhas já que somente as mulheres é que preparam a imagem. Para a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos a responsabilidade é dos mesários homens, em trocar as vestes e preparar a imagem para as procissões.
Outro critério que é observado é a composição dos dois cortejos processionais. O que sai de S. Francisco é composto das irmandades do Senhor Bom Jesus dos Passos, Santíssimo Sacramento, São Miguel e Almas, Santo Antônio, Senhor Bom Jesus do Monte, Senhor Bom Jesus do Bonfim e Confraria de São Gonçalo Garcia; o que sai do Carmo é composto pela Ordem Terceira do Carmo, Confrarias de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Boa Morte, Arquiconfraria de Nossa Senhora das Mercês.
Uma característica peculiar são os dobres de sinos, exclusivos da Solenidade dos Passos em São João del-Rei. Esses toques foram apelidados pelos são-joanenses de “Combate” pois há entre os sineiros da Catedral, Carmo e São Francisco, verdadeiro combate para ver qual dobra mais os sinos. Isso acontece na sexta-feira, no sábado e no Domingo do Encontro quando, então, os dobres são mais intensos. Os sinos das outras igrejas só dobram quando a procissão passa próximo a elas.
A Solenidade dos Passos tem continuidade com o Setenário das Dores, quando, durante os sete dias que antecedem o início da Semana Santa é celebrado na Catedral Basílica do Pilar, rememo-rando as Sete Dores de Maria Santíssima. A cada dia do Setenário o pregador discorre sobre uma das dores de Nossa Senhora. Culmina o Setenário com a Procissão de Nossa Senhora das Dores que percorre o mesmo trajeto da Procissão do Encontro, porém em sentido inverso, isto é: a procissão sai da Catedral e vai ao Passo que se situa na Praça Barão de Itambé seguindo-se a procissão no sentido inverso das demais.  Ao se recolher a procissão é pronunciado o Sermão da Soledade de Nossa Senhora, encerrando-se assim as Solenidades de Passos. Como na Procissão do Encontro, o andor pára diante de cada capela-passo quando então se executa Motetos das Dores, também da autoria de Martiniano Ribeiro Bastos.
Desde o ano de 1846, a Orquestra Ribeiro Bastos é a responsável pela música que abrilhanta as solenidades dos Passos, executando obras dos compositores são-joanenses, especialmente de Martiniano Ribeiro Bastos, Pe. José Maria Xavier, João da Matta, Carlos dos Passos Andrade e do ouro-pretano, Pe. João de Deus de Castro Lobo.
Nas procissões as bandas de música executam marchas e melodias fúnebres do autores sanjoa-nenses: Ribeiro Bastos, Carlos dos Passos Andrade, José Lino de Oliveira França, Benigno Par-reira, Geraldo Barbosa de Souza.
SEMANA SANTA
A Semana Santa celebrada em São João del-Rei é a única no Brasil que preservou antigas tradi-ções, hoje abolidas. É promovida pela Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento da Cate-dral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Fundada em 1711, mantém, com justo orgulho, a Semana Santa considerada a melhor que é celebrada no Brasil, sendo a única no mundo que ainda realiza os Ofícios de Trevas quando são executados os Responsórios e as Laudes compostos pelo Padre José Maria Xavier, alternando com o Coro Gregoriano que canta os Salmos, as Lamentações e as Antífonas. Todas as solenidades são realizadas na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, da qual é Pároco o Rev.mo. Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva.
Tem início com o Domingo de Ramos, na Igreja do Rosário quando se realiza a Bênção dos Ra-mos, seguindo em procissão para a Catedral Basílica do Pilar, onde é celebrada a missa solene com o Canto da Paixão, segundo São Mateus. A Paixão é cantada em gregoriano por três sacer-dotes que são Cristo, Cronista, Sinagoga, com interferências dos Bradados das Turbas pelo coro e orquestra. Esses cantores ficam postados assim: Cristo, no presbitério, próximo ao altar; Cronista no púlpito à direita, Sinagoga no púlpito à esquerda. O Cronista faz a narrativa da Paixão
À tarde é realizada a Procissão do Triunfo, que percorre o trajeto tradicional no centro histórico da cidade. Em ambas as procissões os fiéis portam ramos e palmas que foram bentos pela manhã. São guardados e queimados nas ocasiões de tempestades quando se invoca a proteção divina para evitar cataclismos. A Igreja guarda parte dos ramos bentos que são reduzidos a cinzas para a Quarta-feira de Cinzas quando o celebrante da missa faz com ela uma cruz na testa dos fiéis, dizendo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Na segunda e terça-feira, após a missa das 19h realiza-se a solene Via Sacra, quando são execu-tados os Motetos dos Passos, do Maestro Ribeiro Bastos, concluindo com o famoso “Miserere”, obra do compositor tiradentino Capitão Manoel Dias de Oliveira.
Na Quarta-feira Santa, às 19h é realizado, com toda a solenidade, o Ofício de Trevas, quando o coro e orquestra, observando antigo costume, não ficam na tribuna do coro e sim próximo ao presbitério. Um grande candelabro triangular, de 15 velas, é colocado no lado da Epístola e, a cada Salmo cantado é apagada uma vela. As velas desse candelabro são feitas de cera pura e a que fica no vértice do triângulo representa Jesus Cristo. É a única que não se apaga. No final do Ofício de Trevas, quando o coro e orquestra iniciam o Christus factus est, ela é retirada e colocada no vértice do altar. Todas as velas são apagadas quando se inicia o canto do Benedictus (coro e orquestra alternado com cantochão, assim também, gradativamente, as luzes da igreja. Após a oração final, todas as luzes se apagam por um instante, quando se realizam ruídos das trevas que preconizam a ressurreição de Jesus Cristo.
Na Quinta-feira Santa, (Feria Quinta in Cœna Domini) pela manhã, é celebrada com toda a sole-nidade a Missa do Crisma, quando o Bispo com todo o seu Presbitério (isto é: todos os padres da Diocese), benze os Santos Óleos dos Enfermos e dos Catecúmenos e consagra o Santo Óleo do Crisma, usado nos sacramentos do Batismo, Crisma e Ordem. Nesta Missa o Bispo celebra como Pontífice e, por isso, acrescenta-se mais uma vela às outras seis na banqueta do altar do lado da Epístola. Ainda nesta Missa o Bispo renova com o seu Presbitério as Promessas Sacerdotais en-tregando a cada padre um exemplar da Carta do Papa João Paulo II que, a cada ano, se dirige aos Padres de toda a Igreja com a sua mensagem de Páscoa.
À tarde é celebrada a soleníssima Missa In Cœna Dómini (da Ceia do Senhor). Após a missa o Santíssimo Sacramento, sob pálio branco, cujas varas de sustentação são de prata, é conduzido solenemente para a Capela ricamente ornamentada de alfaias e flores naturais, onde permanecerá até à Comunhão da Sexta-feira Santo. Conclui-se a cerimônia com a Desnudação dos Altares, como um sinal de luto da Igreja, significando também o momento em que Cristo foi despojado de suas vestes para ser crucificado. Durante este ato é cantado em gregoriano o Salmo 21 - Deus, Deus meus. Após o Glória desta Missa não se tocam mais os sinos e nem as campainhas (inclu-indo as horas do relógio externo) e os sinais litúrgicos passam a ser dados na matraca, instrumento triangular de madeira com aldravas de ferro. Os sinais assim dados representam um apelo à Cruz de Jesus Cristo.
Merece destaque o capricho e bom gosto com que se ornamenta a Capela do Santíssimo. Várias pessoas da comunidade são-joanense, que cultivam plantas ornamentais, emprestam seus vasos para serem colocados na Capela nestes dois dias. As mais ricas alfaias da Catedral são utilizadas para essa ornamentação.
À noite, é realizada a singular cerimônia do Lava-pés, relembrando o ato de Jesus Cristo que, antes da ceia lavou os pés de seus discípulos e nos deu o novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Nesse ato, o Bispo Diocesano lava os pés de 12 jovens acólitos da Catedral que representam os Apóstolos. Em seguida é proferido o Sermão da Caridade quando o orador sacro discorre sobre o mandamento da Caridade, dado por Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”
Na Sexta-feira Santa (Feria Sexta in Parasceve), pela manhã é realizado o Ofício de Matinas e Laudes (Ofício de Trevas), próprio desse dia, seguindo o mesmo cerimonial do Ofício de Quarta-feira Santa.
Às 12h 30m tem início o Sermão das Sete Palavras, quando o pregador, secundado pela orquestra e coro, rememora a agonia do Salvador na Cruz. É um sermão longo que deverá durar até as 15h, hora da morte de Jesus Cristo. Antes de cada Palavra comentada pelo orador sacro a orquestra e coro executam um moteto e a música da “Palavra”. Quando o coro canta a “Palavra” o orador e os fiéis se põem de joelhos para ouvi-la em sinal de respeito e contrição às últimas palavras do Redentor. A seguir o pregador discorre sobre a “Palavra”.
Concluído o Sermão das Sete Palavras, às 15 horas tem início a Solene Ação Litúrgica, quando se fazem Leituras, o Canto da Paixão, segundo São João (como no Domingo de Ramos), a Oração Universal, a Adoração da Cruz (quando a Cruz é solenemente desvelada e todos se prostram em veneração à Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo). Depois de desvelada a Cruz, ela é colocada sobre um rico tapete de veludo vermelho e o Bispo, os Padres, os Irmãos do Santíssimo Sa-cramento e os Acólitos vão, dois a dois, fazendo três genuflexões, osculam a Cruz em sinal de veneração ao símbolo da Redenção da Humanidade. 
A Ação Litúrgica é concluída com a Sagrada Comunhão, quando o Santíssimo Sacramente retorna da capela para o presbitério, precedido de dois Acólitos portando velas acesas e dois Irmãos do Santíssimo portando duas lanternas de prata; um Irmão do Santíssimo Sacramento vai à frente do cortejo tocando a matraca avisando, que o Santíssimo Sacramento se aproxima do altar. O Santíssimo é conduzido pelo 1º Concelebrante, revestido pelo véu de ombros, debaixo da umbela que é sustentada pelo Provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Nessa ocasião dois coros alternados cantam o Hino “Vexila Regis” O Bispo, inicia o Rito da Comunhão rezando com todos os presentes o Pai Nosso, comungando em seguida junto com todos os padres presentes. Depois a Eucaristia é distribuída a todos os fiéis.
À noite é realizada uma das mais comoventes cerimônias da Semana Santa: o Descendimento da Cruz, que é celebrado nas escadarias da Igreja das Mercês. O pregador relembra o ato realizado por José de Arimatéa e Nicodemos, representados nesse ato por dois sacerdotes, retirando da cruz o corpo do Divino Salvador, seguindo-se a Procissão do Enterro, na qual são representadas as grandes personagens do Antigo e do Novo Testamento, devidamente caracterizados por pessoas da comunidade. Nessa procissão há o lamento das Santa Mulheres, o canto da Verônica e os corais processionais que cantam obras do compositor Manoel Dias de Oliveira.
Tem conclusão ao chegar à Catedral Basílica quando a veneranda imagem do Senhor Morto é incensada e depois venerada, em piedoso silêncio, por todos o presentes à cerimônia e que a-companharam a procissão.
No Sábado Santo, pela manhã, diante do esquife do Senhor Morto, é realizado o Ofício de Trevas, como os anteriores. Merece atenção a III Lição do Primeiro Noturno: a comovente Oração de Jeremias, cantada em gregoriano no tom solene, cujo texto é uma súplica fervorosa, em que o Profeta Jeremias pede a Deus lembrar-se das desgraças acontecidas ao seu Povo levado cativo.
À noite realiza-se, com grande solenidade, a Vigília Pascal. Inicia-se com a Bênção do Fogo novo quando é aceso o Círio Pascal (que representa o Cristo, Luz do Mundo). O fogo com que se acende o Círio Pascal é tirado da pedra e, com ele, acesos os carvões donde se tira a chama. Esse ato é realizado no adro da Catedral e a igreja permanece sem nenhuma luz acesa. Ao entrar na Catedral o sacerdote que conduz o Círio canta em latim: Lumen Christi! (Eis a Luz de Cristo), ao que todos respondem: Deo gratias! (Graças a Deus) Logo começam a se acender as velas retirando da chama do Círio que é passada aos que estão próximos. O Lumen Christi é repetido mais duas vezes com o sacerdote elevando a cada vez a voz. Após a terceira vez são acesas também as luzes da igreja. Canta-se a seguir o Precônio Pascal, em latim, diante do Círio que é colocado em um grande tocheiro de prata, nos degraus do altar. Fazem-se, a seguir sete Leituras tiradas do Antigo Testamento, intercaladas pelos Tratos executados pela orquestra e coro. Novamente as luzes são apagadas e o Bispo incensa o altar enquanto o coro e orquestra executam o Kýrie eléison. Concluído o Kyrie, o Bispo entoa solenemente o Glória in excélsis Deo, (Glória a Deus nas alturas) quando são acesas todas as luzes e batem-se as campainhas, carrilhões e os sinos da Catedral, abrindo-se as cortinas do trono, anunciando a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo. A seguir é benta a água e realizado o batismo e feita a renovação das Promessas do Batismo por todos. Segue-se a Missa Solene que é concluída com a comunhão, durante a qual a orquestra e coro executam os Responsórios das Matinas da Ressurreição.
O Domingo da Ressurreição é o ápice da Semana Santa. É celebrada Missa Solene da Ressur-reição do Senhor pela manhã, com homilia pelo Bispo Diocesano. À tarde realiza-se a triunfal Procissão do Santíssimo Sacramento que é conduzido sob pálio branco pelo Bispo, concluindo com a Bênção do Santíssimo Sacramento ao regressar a procissão para a Catedral. Após a Bênção do Santíssimo todos os presentes cantam o Hino a Nossa Senhora do Pilar, homenagem filial à Padroeira da Paróquia, da Cidade, do Município e da Diocese de São João del-Rei.
Após a missa das 19h realiza-se o expressivo e singelo ato da Coroação de Nossa Senhora que é precedido de pregação alusiva à ressurreição de Cristo e a participação de Maria Santíssima no ato da Redenção. O Bispo, acolitado por dois sacerdotes, sobe ao trono onde está a imagem de N. S. das Dores e, ao som da belíssima antífona Regina cœli lætare, Alelluia (Rainha dos Céus, alegrai-vos. Aleluia), do Padre José Maria Xavier, retira as espadas cravadas no peito de N. Senhora e o diadema de 12 estrelas e o substitui por rica coroa real, de prata, simbolizando que Maria é Rainha dos céus e da terra, Mãe de Deus e Mãe nossa.
A Semana Santa é concluída com o canto solene do Te Deum laudamus, quando os sacerdotes, coro gregoriano e povo cantam alternadamente com o coro e orquestra a Ação de Graças oficial da Igreja, concluindo-se o ato quando todos os sacerdotes cantam o Benedicamus Dómino, Alelluia (Bendigamos ao Senhor, Aleluia) que é respondido por todos os presentes com o Deo grátias Alelluia (Graças a Deus, Aleluia).
A Semana Santa é abrilhantada, desde 1860, pela Orquestra Ribeiro Bastos, que executa obras dos autores mineiros e, especialmente dos compositores são-joanenses, Padre José Maria Xavier, Martiniano Ribeiro Bastos, João da Matta, Carlos dos Passos Andrade, Presciliano Silva, Firmino Silva, Cantelmo Júnior, e diversos outros autores mineiros e brasileiros.
 



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