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04.07.2013 - AS MANIFESTAÇÕES PELO BRASIL - JOSÉ LUIZ ALQUÉRES
 

Algumas vezes, estar longe nos permite uma compreensão melhor das situações. Outras não. No exterior há quase um mês, assisti o que se passa no Brasil, ao mesmo tempo em que via outras coisas na Europa e no resto do mundo. Talvez tenha faltado essa imersão no olho do furacão onde a emoção confunde o observador, mas dá a ele, às vezes, a intuição que clarifica a razão das coisas.
Há uns dois anos, um ambulante foi morto na Tunísia por causa de uma intransigência religiosa . Os protestos que daí partiram resultaram na queda do Governo da Tunísia, do Egito, na Primavera Árabe, etc. e ainda não acabaram... Por causa do ambulante? Certamente não. Por causa da situação ter chegado naquele ponto que o Chico Buarque canta na música : "Pode ser a gota d'água ...", cuja letra recomendo passar os olhos.
Há no Brasil , a meu ver, uma situação de " I'm fed up" (em inglês) ou se quiser " j' ai ras le bol " (em francês) ou, chulamente, "Eu estou de saco cheio", algo como um personagem de Brecht na peça "A selva das cidades ", sai clamando: "Chega, chega, chega, não aguento mais esta situação de tão chata, tortuosa, sem saída, etc. ". E também, como na vida real, "parte para ignorância".
Numa situação desse tipo, atingindo muita gente, o amálgama é o descontentamento, a negação. Juntam-se opostos, variadas correntes. Todos reclamam, ninguém tem totalmente a razão. As redes sociais aproximam essas pessoas, mas o velho olho no olho, nalgum momento, se impõe e a multidão parte para as ruas. Que mostram a cara de quem clama: jovens, principalmente na idade, mas também no espírito. Homens e mulheres em igual proporção.
Esta massa pode ser classificada em três grandes blocos.
O Bloco dos insatisfeitos com o presente:
- os que vaiam a presidenta no estádio de Brasília, onde certamente pagaram caro ( mas tinham como... ) para entrar. Gente de Brasília, deve querer mais empregos, mais concursos públicos, 14º salário, licenças-prêmio e estas coisas boas de funcionário que sempre quer mais...
- os que sofrem por causa das filas e de viagens em transportes horrendos, os que são humilhados em postos de saúde que não funcionam, os que vêm escolas cujos professores não dão aula e que por isso pagam transporte particular, plano de saúde particular e escola particular, além dos seus impostos...
- os que observam a roubalheira dos políticos e a ineficácia da sua atuação centrada unicamente no interesse próprio...
- os descrentes de um partido novo que contribuíram para fazer chegar ao Poder, apenas para vê-lo praticar o que condenava nos outros anteriores; no caso, como partido de massa e distante historicamente do Poder, rouba massificadamente, em grande escala, em grande velocidade para "recuperar o tempo perdido” e oferecer oportunidade para seus seguidores, sem competência outra a não ser prometer muito e distribuir pouco do acumulado no passado, lançando cheques em branco contra o futuro ( recurso eficaz desde a Antiguidade, especialmente para populações não esclarecidas e fixadas no presente); para esses desiludidos a revolta é grande e eles se sentem magnificamente caracterizados na obra de Orwell , "Animal Farm", onde caracterizados como animais , assistem os porcos adquirindo feições humanas .
O Bloco dos insatisfeitos com o futuro:
- a garotada, mais instruída, embora em escolas deficientes, que percebe que o futuro será mais negro, que seus conhecimentos não são suficientes para um mundo mais competitivo;
- os aposentados e pensionistas, cada vez mais presentes num país de aposentadorias precoces e Previdência falida, que sentem que o Governo nalgum momento terá que parar de "pedalar" e seus rendimentos despencarão;
- os trabalhadores, públicos e privados, que sentem a garfada nos seus rendimentos quotidianamente e sabem que esse dinheiro será desrespeitado, mal usado, roubado, alimentará a corrupção, etc, etc, e o que prometem fazer com ele é piada, a exemplo da Copa do Mundo e Olimpíadas, coisas que poderiam ser muito boas se bem feitas, mas que acabam sendo oportunidade para contratar sem concorrência, realizar sem fiscalização, oferecer "circo" ao povo, que no caso parece que percebeu que o circo é só para ser olhado por fora...
Mas, o maior Bloco de todos é o de "Nós as vítimas ", descontentes com tudo, presente, futuro, consigo mesmo e especialmente com o passado:
- por que votei neste pulha?
- por que acreditei ?
- por que todos os políticos são iguais ?
E as pessoas deste bloco, mais do que soluções, procuram o que destruir como uma metáfora da sociedade que rejeitam e, en passant, procuram culpados para expiar pecados que também são seus. E os " descobrem " na Justiça que é lenta, no Congresso que é corrupto, no Executivo que rouba, nos USA que julgam nos oprimir, na Imprensa que é vendida. Só não são capazes de cair em si.
Tenho a firme convicção que, a exemplo de alguns países, administrações públicas ou de grandes empresas ou mesmo experiências de vida, que é possível dar a volta por cima e sair bem dessa situação. Mas isso exige reconhecer, logo de partida, que há custos a pagar por todos e muitas mudanças a fazer nas nossas atitudes e nos nossos atos.
A receita é clássica:
- cultivar os valores cívicos das pessoas (liberdade, democracia, disciplina, amor ao próximo);
- fazê-las expressar com clareza suas expectativas e a missão a que se impõe;
- respeitar as regras básicas do jogo da vida, da política, dos negócios e da participação, configuradas no Estado de Direito;
- organizar suas iniciativas em planos de prazos curtos, médios ou longos;
- pactuar politicamente obrigações recíprocas em relação a metas a atingir;
- monitorar com transparência a atuação e os resultados e efetuar as correções de rumo que se imponham;
A rota não é isenta de enormes dificuldades e da ação dos muitos interesses contrariados que atuarão todo o tempo.
A vida nos ensina que, com lideranças adequadas, processos de gestão participativos e compartilhamento de ônus e bônus, se chega ao objetivo de uma sociedade mais justa e mais rica.
Tratando com Humanidade os desiguais, carentes e os que tem necessidades especiais; respeitando a Liberdade e a discussão democrática e assegurando, a cada um , o direito de perseguir, em companhia de quem quiser, a sua ideia de Felicidade (como registrou Thomas Jefferson no prólogo à Declaração da Independência Americana), conceitos recentemente enfatizados por Rosiska Darcy de Oliveira no seu belo discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, poderemos aspirar viver num mundo melhor.



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