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18.01.2015 - FILHO MORTO - JOTA DANGELO
 

Por Jota Dangelo em 17/01/2015


Ei-lo sem vida. Não mais o som de sua voz entoando um samba de raiz. Não mais sua voz em acalorada discussão política. Passivo, parece dormir, e de maneira tão tranquila que parece estar sonhando devaneios venturosos.

Como a vida implica, necessariamente, a morte como um corolário obrigatório, é difícil clamar contra o desfecho quando este se dá em condições normais. Mas morrer o filho antes do pai é injusto, um castigo imerecido. A lei biológica é a da morte dos ascendentes, prévia à dos descendentes. São estes que devem chorar a perda daqueles, não o contrário. Inclusive porque os pais quando falecem já cumpriram normalmente a sua missão.

Ei-lo sem vida. Não mais a convivência, nem sempre mansa, mas a mais das vezes alegre, benfazeja, risonha, particularmente quando o assunto era o Botafogo, o Atlético, o carnaval, a arte, a música popular brasileira. Ei-lo sem vida, em berço de madeira, com a camisa da Portela, num velório da Igreja São Francisco por breves instantes antes da partida para o crematório de Contagem no Parque Renascer. Vejo os amigos que chegam para vê-lo pela última vez. Estou em órbita, pensando disparates e coisas sem sentido. Por exemplo: engraçado, ninguém tira fotos em velórios, ninguém quer o registro da despedida, o caixão não é cenário próprio para fotografias.

Penso: a perda é dolorosa, mas não foi só minha mulher e eu que perdemos um filho. Uma filha perdeu o pai. O Bloco da Chácara perdeu seu compositor mais prolífico. A roda de samba perdeu um sambista. A percussão perdeu um pandeirista. Muitos amigos perderam um companheiro de papo. Uma perdeu o ex-marido; outra perdeu o par. A UFSJ perdeu um técnico. As calçadas são-joanenses perderam um transeunte. Os botecos perderam um freguês.

Ei-lo sem vida. O caixão está posto sobre a placa do crematório, sob os nossos olhares e dos olhares dos amigos de Belo Horizonte, do Teatro, do Grupo Corpo de Dança no qual ele trabalhou 17 anos como técnico e Chefe de Palco. Assisto à minha própria cremação. As chamas fictícias devoram-me por dentro. Penso que deveria ser eu naquele caixão, não ele. Eu sim, é que deveria ser consumido. Mas logo recuso a idéia. Não, não. A vida tem que continuar. Era o que ele pensava. Nunca gostaria de um manto de tristeza gerando sombras sobre nossa casa e sobre a vida dos que o conheceram, conviveram e admiraram.

Ei-lo sem vida. Mas seus sonhos continuam presentes. Cabe a nós e a seus amigos realizá-los.

Fote: Gazeta de São João Del Rei



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