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28.08.2011 - LUIZ BACCARINI UM MARCO NA HISTORIA
 

 

Faleceu no ultimo dia 20 em Belo Horizonte José Luiz Baccarini, Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.

São João Del Rei, perde um filho ilustre, que muito fez pela Saúde, Educação, Infra-Estrutura e Turismo. O primeiro passo para a federalização da UFSJ, foi Luiz Baccarini que capitaneou esta idéia, e a aproveitando a emoção que tomou conta do Brasil, na morte de Tancredo Neves, marcou uma audiência com o Presidente Sarney, e disse a ele que o sonho de Tancredo era criar uma universidade federal em São João Del Rei. Estiveram nesta primeira audiência. Deputado Federal Luiz Baccarini, o Prefeito Municipal a época Cid Valério, o Ministro da Educação Marco Maciel e Dermeval Antonio do Carmo Filho testemunho ocular deste episodio, fazendo a cobertura para o Jornal O Raio.

Transcrevemos o ultimo discurso de José Luiz Baccarini como homem publico, proferido na sua despedida do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais em 18 de dezembro de 1996.

 

“Senhor Presidente, Senhores Conselheiros, certa vez, em um sepultamento de um ilustre desaparecido, quando se prestavam a ele tantas homenagens e realçavam suas qualidades, alguém, ironicamente, ao meu lado, sussurrou assim: "Feliz é o morto que ouve os elogios e não tem ônus e encargos a agradecer".

 

Mas, infelizmente, ainda estou vivo e tenho de agradecer, e as primeiras palavras são dirigidas aos funcionários deste Tribunal, do mais baixo ao mais alto, a todos aqueles que colaboraram comigo, que colaboram com este Tribunal. A eles quero dizer apenas uma coisa: em minha longa vida pública - labutei no Fórum, passei pela Câmara Municipal, passei pela Assembléia Legislativa, passei pela Câmara Federal -, em todos esses setores, posso afirmar, não encontrei um corpo de funcionários tão bem qualificados, tão dedicados, tão entregues a suas funções como os funcionários do Tribunal de Contas. A eles, portanto, dirijo os meus agradecimentos.

 

Aos nossos Diretores, aos nossos Coordenadores, a todos aqueles que têm obrigação de dirigir o corpo administrativo desta Casa fica aqui também o meu reconhecimento.

 

Aos membros do Ministério Público, cuja vinda para esse Tribunal - e sempre disse isso nos seminários que fiz como Presidente - só valorizou o Tribunal de Contas, porque veio dar eficiência para o cumprimento das nossas decisões, ao Ministério Público os meus agradecimentos e, de maneira especial, ao meu conterrâneo, ao meu amigo, a quem conheço desde criança, Dr. Luiz Alberto, que aqui fez inúmeras referências elogiosas a meu respeito, que bem sei não traduzem a verdade, mas traduzem, sim, um sentimento de um são-joanense para com seu conterrâneo. Ao Dr. Luiz Alberto, filho de uma tradicional família à qual sempre fui ligado, família que sempre foi ligada à minha por laços tão íntimos que o seu avô era padrinho de dois ou três dos meus irmãos, e meus pais padrinhos de filho de seu avô. Foi por esse motivo que ele me elogiou, mas, da mesma forma, agradeço, sinceramente, as suas palavras.

 

Aos nossos Auditores, o que dizer deles? Que eles engrandecem este Tribunal seria falar pouco. Que eles cumprem de maneira eficaz as suas funções seria falar muito pouco. O que posso dizer é que eles não são apenas Auditores, muitas vezes são mesmo até nossos conselheiros, são homens que se dedicam a suas funções de alma, de espírito e de coração. Ao Doutor Edson Arger, que falou em nome deles, fica também o meu especial agradecimento.

 

Apenas um esclarecimento: o meu escritório de advocacia em São João não era na Cantina. Eu fazia plantão na Cantina porque era obrigado a ir dez, quinze, vinte vezes à delegacia, que era ao lado, para atender gratuitamente àqueles que não tinham recursos na sua defesa; apenas por esse motivo, ali permanecia de plantão de 4 às 5 horas da tarde e até, às vezes, à meia-noite, 1 ou 2 horas. Mas, de qualquer forma, Doutor Edson Arger, sei que também suas palavras tinham no fundo um sentimento de amizade e um sentimento de companheirismo, ligado como eu era ao PSD, à figura de Tancredo Neves, com quem tanto convivi, à figura de Juscelino Kubitschek, com quem também tanto convivi, à figura de Israel Pinheiro, com quem convivi, figura muitas vezes difícil de ser entendida, mas, sobretudo, humana. Talvez, por esse motivo, os seus elogios tenham ultrapassado os limites da generosidade.

 

Aos meus colegas Conselheiros:

 

Ao Dr. Maurício Aleixo, posso, apenas, dizer que ele, neste Tribunal, não apenas prestou relevantes serviços. Ele, sobretudo, enalteceu e dignificou a sua origem - a figura do seu saudoso pai, Dr. Pedro Aleixo, que era, realmente, um grande jurista; o Dr. Pedro Aleixo, colega de escritório do Dr. Milton Campos, a quem muitas vezes, como advogado, recorri em busca de pareceres.

 

Esteja certo V. Exa. de que seu pai, nessa altura, sente-se feliz e orgulhoso do filho que tem neste Tribunal.

 

Ao Dr. Fued Dib, o que dizer dele?

 

Conheci o Dr. Fued Dib antes de ele entrar na política, em Ituiutaba, quando ele se preparava para iniciar sua carreira e sua vida pública como candidato a Prefeito. Daí para cá, passei a admirá-lo não apenas pela sua inteligência, pela sua cultura, mas, sobretudo, pelo seu dom de oratória em praça pública. E aqui, neste Tribunal, o Conselheiro Fued Dib, embora não sendo advogado, tem trazido lições magistrais em muitas matérias jurídicas.

 

Fica, também, o meu agradecimento.

 

Ao Dr. Murta Lages, velho companheiro de lutas, meu amigo particular, pessoa a quem devo muito, quase não tenho palavras. As minhas palavras para ele, hoje, são de congratulações.

 

O Tribunal vai ter, realmente, um grande Presidente. Isso eu bem sei, porque, quando Presidente, foi ele o meu braço direito, sobretudo em matéria administrativa. Quando Presidente, era ao Conselheiro Murta Lages que eu recorria para buscar soluções para os problemas administrativos. E ele, sempre inteligente, sempre culto, sempre disposto, nunca negou a sua colaboração.

 

Fica, aqui, o meu abraço pela sua eleição. Ficam, aqui, os meus agradecimentos pelas suas generosas palavras.

 

Dr. Sylo Costa, realmente falo depressa. Falo depressa porque a idade assim me obriga. Cada minuto que passa é um minuto a menos de vida. Não posso perder tempo falando. Que V. Exa. me entenda, me compreenda, acho até normal. V. Exa. me compreendia na Assembléia, e me compreendia tão bem.

 

Juntos caminhamos durante vários e vários anos. Eu, no partido de oposição, e V. Exa., no partido do governo, mas juntos caminhávamos sempre na mesma direção. Evitávamos que o avião decolasse. Evitávamos que tanta coisa acontecesse. Mas soubemos, graças a Deus, eu, e soube V. Exa. também, jamais fazer oposição ofendendo a quem quer que fosse. Fizemos uma oposição digna. Fizemos uma oposição respeitosa. E, hoje, mesmo aqueles a quem fiz oposição, orgulho-me de dizer, são meus amigos.

 

Por isso, Dr. Sylo, não fique V. Exa. esperançoso de que vai se desligar mais uma vez de mim.

 

Recordo-me bem, me formei na Faculdade Nacional do Rio de Janeiro no dia 19 de dezembro e já no dia 1º de janeiro estava com minha banca em São João Del Rey.

 

Quando renunciei ao mandato de deputado federal, o fiz dia 5 de dezembro para exercer minha função no dia 6 neste Tribunal.

 

E, ao me aposentar, agora, esteja certo V. Exa. de que, a partir do dia 2 de janeiro, já estarei com escritório montado, sobretudo visando defender esses inocentes Prefeitos de nosso Estado de Minas Gerais.

 

Dr. José Ferraz, lembro-me bem quando tivemos o primeiro encontro. V. Exa. era Diretor-Presidente do IPSEMG, e ali fui como deputado, sempre a pleitear e reivindicar alguma coisa. E a partir desse instante minha admiração começou a nascer por V. Exa. V. Exa. sempre solícito, sempre disposto a atender, sempre procurando uma solução. V. Exa. soube, de fato, me cativar. Minha admiração cresceu por V. Exa. quando entrou para a vida pública. E, em poucos anos, pela sua inteligência, pela sua capacidade, V. Exa. atingia até a presidência do Poder Legislativo. E aqui, neste Tribunal, não me surpreendem os seus votos, não me surpreendem as suas decisões, porque eu conheço bem a sua inteligência e conheço bem a sua cultura. Obrigado pelas suas palavras.

 

Ao meu Presidente, Doutor Flávio Régis, cujo contato iniciamos em Contagem, quando V. Exa. ainda advogava naquela terra, quero dizer que sempre o admirei pela sua dedicação, pela sua vontade de estudar, pela sua imensa ganância de ler. V. Exa. sempre conseguiu me transformar em um seu admirador. Esteja certo, Presidente Flávio Régis, que a amizade que consolidamos, sobretudo neste Tribunal, para mim permanecerá até o último minuto de minha vida.

 

Senhor Presidente, não poderia, também, neste instante, deixar de trazer aqui um agradecimento. No momento em que encerro as minhas funções neste Tribunal, quero agradecer ao Doutor Hélio Garcia, que me indicou para esta Corte. Quero registrar, neste instante, o meu agradecimento a S. Exa., porque ele confiou em mim, ele me indicou para a Assembléia Legislativa e, confiando em mim, ele me tornou eternamente grato.

 

Senhor Presidente, falta uma última homenagem, e essa homenagem eu farei ao Tribunal de Contas. Infeliz é um povo que não tem um Tribunal de Contas, infeliz é um estado que não tem o seu Tribunal de Contas. Aqueles que querem extinguir o Tribunal de Contas são aqueles que querem se ver livres da sua fiscalização. O Tribunal de Contas é uma instituição que merece ser defendida e preservada em todo regime democrático. E sobretudo o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, que, sem dúvida alguma - agora que eu o estou deixando posso afirmar -, é um dos melhores Tribunais de Contas de todo o país. E a este Tribunal de Contas eu quero render apenas uma homenagem. É a daquela velha lenda, daquele lenhador, tantas e tantas vezes dita em tantos e tantos discursos, aquele lenhador que, tendo à sua frente um velho jequitibá, resolveu prostrar por terra aquela árvore. Durante dias e dias ele martelava, ele buscava derrubar o velho jequitibá. Até que um dia, não mais agüentando tantas marteladas, tombou por terra aquela imensa árvore. E ele, então, pondo o pé sobre aquela árvore, afirmou espantado e atônito: "Nunca pensei que fosse tão grande!" Assim também eu digo hoje, no momento em que deixo este Tribunal, no momento em que me preparo para exercer outras funções, eu olho para esta Corte e digo espantado, digo atônito: nunca pensei que esta instituição fosse tão grande!

 

Muito obrigado.”

 

José Luiz Baccarini

 



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